PRIMEIRO (POESIA)

 


Página


No fim

Não existe mágica

Letras por aqui, ali e lá

Um ponto, uma frase

Várias frases, um parágrafo

Dois pontos, continuação

Reticências, falta de inspiração

Melodia na leitura das linhas

Não tem um segredo

Mesmo que as perguntas

nem sempre acabem

com pontos de interrogação

E se parar

Terrores planejam exclamações

Sentimentos não explicados

Sobra, só descobrir

a força do terremoto

Escombros por todos os lados

Carteiras vazias caídas pelo chão

Cigarros queimados até a metade

Esculturas de vidro

Estilhaçadas

Gritos que ecoam entre pedaços

Em meio à fumaça e poeira

Dentro de nós

A esmo

Prosa ou poesia

Uma busca imensurável

Sem saber o que encontrar

E não achar nada

Em mais nada acreditar

Nada mais querer

Procrastinar

Até já não ser nada

Não ser lembrado por ninguém

Só que toca uma música

Passa um filme

O Sol se põe no horizonte

Ouve o barulho das ondas

Paixão com vista pro mar

Acontece um momento

Difícil escrever

Mas a gente quer desvendar

Sempre nasce uma palavra

Dita, escrita ou jogada

Uma folha de papel amassada

Um lápis desapontado

Pontos se enfileiram

Manchas de algo

que ainda não foi criado

Nem existe

Acaba sempre na missão

Dar a vida à forma do verbo

Depois

Agonizando as dores

Puro ato de amar

Largar

Deixar

Libertar

Partir

Quebrar

Voltar

Aos sentimentos inexplicáveis

Explorar

Destroços de uma erupção vulcânica

Reviver

Vidas de um passado distante

Revelar

Segredos de um novo instante

Então

Procrastinar

Não fazer mais nada

Já mais nada ser

Esquecer de si mesmo

Não ser lembrado por ninguém

E ainda assim

Ressurgir na próxima página


Leia todos os poemas do Primeiro aqui!


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© 2022 by Emerson

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